Uyuni, Deserto de Sal

Potosi  x  Uyuni

Como chegar  

UYUNI

População – 29.518 habitantes (2012).
Altitude – 3.600m. a.n.m.
A cidade – Uyuni pode ser considerada como “cidade dormitório”, já que é o ponto de partida para o deserto de sal, não tem atrativos turísticos, mas é repleta de agências de turismo.

SALAR DE UYUNI


É a maior planície de sal do mundo, com 10.582km.2 formada em um lento processo. Há milhares de anos existiam lagos nessa região, a água evaporou e ficou o deserto de sal. 

QUANDO IR – a maior parte do ano o Salar fica todo seco, o número de lugares visitados é maior. No verão (final de abril), período chuvoso ele vai estar alagado, nem sempre é possível ter acesso a todas as atrações, mas o alagado funciona como um espelho que reflete o céu, as nuvens e as estrelas a noite.

ONDE FICAR EM UYUNI
Hospedagem econômica – Hostal Laguna Colorada, Hostal de Sal e Hostal e San Cristobal. Preço médio U$70.
Hospedagem de luxo – Hotel los Flamencos (U$225), Hotel Tambo Coquesa (R$588), Hotel Luna Salada (R$353). Todos com wi-fi.
Pacotes – Os preços variam muito, dependem do período, número de pessoas, dias dentro do Salar. Preço médio para um dia U$29 por pessoa. (salar, almoço Ilha Incahuasi e cemitério de trens). Para 3 ou 4 dias o preço fica a partir de U$120.
Agências de referência: Andes Salt Expeditions, Senda Andina (muito boa, opera junto com a Atacama Trips e oferece Atacama com Uyuni).

SOROCHE – caso não esteja aclimatado vai sentir os efeitos da altitude, o chá de “Chacoma” é fácil de encontrar na cidade e ajuda. Tome água mesmo sem sede e coma mesmo sem fome.
IMPORTANTE – é um passeio cansativo, com acomodações pouco confortáveis, quartos compartilhados, comida não falta, mas não é boa e a higiene pode deixar a desejar. Banho quente? Nem sempre vai ter. Os refúgios não tem aquecedores, alugue um saco de dormir (U$10,00). Fui sem reserva, descendo do ônibus já há um cerco dos agentes de turismo. Optei pela Discovery Bolívia (tem melhores), a agente praticamente arrasta o cliente e inicia dizendo que aceita cartão de crédito, mas na hora de fechar o pacote diz que não é possível, apesar de “gostar muito dos brasileiros”. Início da negociação US$120,00, deixou por US$100,00 pedindo por favor para não dizer aos demais participantes do tour, fiquei sabendo que alguns pagaram US$90,00. A agência indica o Hotel Avenida, jantei no Restaurante 16 de Julio.  

Hotel Avenida
Hospedagem tipicamente mochileira, bom custo benefício, bem localizado, quarto  privativo e banheiro estavam limpos, colchões razoáveis, wi fi, lavanderia, administração atenciosa.
Localização – Avenida Ferroviária
Preço – U$28 quarto simples, sem café da manhã.
Restaurante 16 de Julio
Boa aparência e localização, comida regional, espere prato rico em gordura. Só fornecem a senha e wifi se você fizer pedido de prato, só café ou chá não tem senha! Atendimento demorado e ruim.
Preço – pasta ao suco e um pedaço de frango B$40 (U$5,75), um suco B$15(U$2,15). Quase pedi uma sopa B$18, mas a mesa vizinha estava reclamando que estava seca e fria. Se for pagar com cartão pergunte antes, tem acréscimo de 10%.
Localização – Praça Aniceto Arce, 35

1º. dia

Pela manhã tomei café em uma lanchonete na praça, a dona ouvia uma televisão em volume alto e pilotava uma enceradeira infernal!  Pedi o desayuno: café com leite, pão, manteiga, geleia, ovos, suco, B$12 (U$1,70). Enquanto aguardava fiquei olhando no balcão um desfile de refrigerantes regionais marca “Burbujas”, nas cores coca-cola, fanta e um incrível vermelho indecifrável. Pedi para ir ao banheiro, dava de frente para a cozinha, dei uma olhada rápida no preparo do meu desayuno, achei melhor não prestar muita atenção, pois precisava daquele café da manhã.
Fui para a Agência, me disseram que sairíamos as 10h., mas para esperar no Hotel. Voltei para o Hotel, apareceu um rapaz dizendo que não era no Hotel, mas sim em outra Agência, ao lado do Hotel. Só então começaram a organizar a comida, combustível e mochilas em cima do jipe 4×4. Perguntei para a agenciadora sobre meu saco de dormir, ela havia esquecido! Foi preciso desamarrar a carga para acrescentar o saco. Conclusão: só saímos às 11h.30. Nosso grupo composto de 1 espanhol, 2 ingleses, 1 francês, 1 indiano, 1 neozelandesa, eu e o guia Hector.

1ª. parada – CEMITÉRIO DE TRENS

Museu a céu aberto com carcaças de trens que foram abandonados após desativação da retirada de minérios da região de Potosi, seu período máximo foi entre 1920 a 1929 quando entrou em crise. Fica na periferia da cidade, o solo arenoso contrastando com as escuras locomotivas resultam fotos interessantes.

2ª. parada – COLCHANI

O Salar de Uyuni contém cerca de 10 bilhões de toneladas de sal, com 25.000 toneladas escavadas e processadas anualmente. No povoado vivem cerca de 600 pessoas que sobrevivem da extração de sal, venda de artesanato feito de sal e arte têxtil de lhama e alpaca. O trabalho é difícil, não possuem proteção alguma para trabalhar no salar, param de trabalhar aos 40 anos por problemas de saúde. O Museu de Sal não leva mais do que 10 minutos para ser visitado.

3ª. parada – SALAR DE UYUNI

Local onde são feitas as “pirâmides” de sal para serem drenadas e depois recolhidas em caminhões. São quase 12mil km2 de sal, com crostas de 5 a 70cm. de espessura a uma altitude de 3.650m. a.n.m. Da cidade de Uyuni até o Salar são 30km. Não dá para resistir! Abaixei e coloquei um pouco de sal na boca! agora já é necessário colocar óculos escuro, o sol refletido no chão branco incomoda a vista. Observei que o inglês colocou óculos de natação, o rapaz estava em outra dimensão. 

4ª. parada – ISLA DEL PESCADO – INCAHUASI

Localizada na província de Daniel Campos, a uma altitude de 3.660m. a.n.m. Recebe este nome por seu formato em forma de peixe, são altas formações de corais em meio ao Salar cobertas por imensos cactos. No deserto de Uyuni estão cerca de 70 variedades de cactos. Chegamos as 13h.45.Para percorrer a Ilha é necessário pagar uma taxa de B$30 (U$4,30), que dá direito ao uso de banheiro. A vista do alto das formações de corais é incrível, em toda sua volta há sal a perder de vista. Neste local o guia prepara o almoço, servido ao ar livre em mesas de sal. Salada de tomate, pepino, abacate, almôndegas, quinua, pão, refrigerante. Aproveitei para percorrer pelo menos uma parte da ilha, ela é bem sinalizada com ótimos ângulos para fotos. Após o almoço seguimos em direção ao hotel de sal.

5ª. parada – Hotel de Sal

Fica a 160km. de Uyuni, ao longe um edifício de aparência simples, mas de perto muito interessante. As paredes são feitas de blocos de sal, cobertura de palha, tendo em vista que lá não chove. Ao entrar o encanto continua: as mesas, bancos, camas, criado mudo, tudo feito de blocos de sal. Coloridas toalhas com motivos nativos cobrem as mesas, almofadas com mesmo motivo sobre os bancos, o piso todo em sal grosso convida o visitante a arrastar os pés. Banheiros em alvenaria, ducha com água quente que é paga à parte. O hotel não tem luz elétrica, somente velas acessas à partir das 17h., mas enquanto se aguarda o jantar servido as 19h., apesar do frio e vento vale a pena dar uma volta fora do hotel para ver os rebanhos de lhamas e o pôr do sol. Jantar: sopa de quínua, bisteca com vagem, cenoura, quínua e chá. Tudo servido em pratos e canecas de barro. Cerveja em temperatura ambiente (sempre), são cobradas à parte. A noite faz bastante frio é indispensável um saco de dormir. A comunicação com o grupo foi complicada, eu era a única que não tinha inglês fluente, não fumava e o grupo era jovem.  O guia dava informações completas em inglês e me informava rapidamente alguma coisa em espanhol. Por sorte havia estudado tudo o que iria ver, portanto o guia era apenas um complemento, perguntava quando tinha dúvidas.

 
 


2º. DIA

Hotel de Sal

Horário 7h. , 5ºC negativos. Para o café da manhã foi fornecida uma garrafa térmica com água quente para que cada um preparasse sua bebida. Café solúvel, leite em pó, chocolate, chá, manteiga, doce de leite, geleia, pão.

Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa

Criada em 1973, província de Sud Lípez, altitude entre 4.000 a 6.000m. a.n.m., taxa de entrada de B$150 (U$21,50). Saímos da região do Salar para uma região de desértica, com areia e montanhas. Passamos pelo Pueblo de San Juan, um outro salar menor Chiguana.
Paramos em um mirador a 4.200m. a.n.m. eram 10h. da manhã e a temperatura era de 8º.C, ventava muito, a sensação térmica era infinitamente inferior, mas valia a pena descer do jipe, avistar o Volcan de Ollague 5.865m. a.n.m.  e as formações rochosas.

 

Laguna Cañapa

A lagoa é toda rodeada de bórax muito branco que contrasta com os flamingos rosados, eles se instalam ali durante o verão, no inverno eles são mais raros. O dia não estava muito propício, ventava muito e o tempo bastante nublado não favoreceu muito as fotos.

Laguna Hedionda

Além da Laguna Hedionda passamos também pelas Lagunas Viscacha e Honda, cada lagoa é uma surpresa, cores variadas de acordo com o mineral que abriga no seu solo, os flamingos sempre presentes, ora em maior ou menor quantidade. A Laguna Hedionda tem uma vantagem sobre as demais, tem alguma estrutura para receber o turista, restaurante com vista para a lagoa, banheiro e um wi-fi que mesmo não sendo gratuito é um diferencial positivo.

Arbol de Piedra

Após mais 1h. de viagem e é a vez da Arbol de Piedra, formação rochosa de origem vulcânica, que tem a forma de uma árvore e desafia a lei da gravidade, pois o “tronco” parece que não vai suportar o peso dos “galhos”. Fica no Pampa de Sioli, a 18km. ao norte da Laguna Colorada. Nesta parada a temperatura era 0ºC., ventava muito e começa a nevar, algumas pessoas nem desceram do jipe por causa do frio. Como a neve começava a aumentar muito, o guia achou conveniente irmos direto par o refúgio. Chegamos as 13h.30. O guia se dirigiu para a cozinha, fomos todos atrás dele por que lá havia um fogão à lenha, mas ele nos expulsou, havia utensílios sujos por todo lado, não tinha pia, a louça nesses locais é lavada em bacias para aproveitamento da água. Na cozinha havia até uma cama. Acho que foi melhor sair mesmo!
Almoço servido: salada de pepino, frango assado, batata, molho de tomate, cebola e pão.
Fui procurar um banheiro para um banho. Água? Só fria, o banheiro estava em péssimas condições de higiene, havia um compartimento que servia para banho, mas não havia chuveiro, a água estava estocada em um tambor, tinha um caneco, após o uso do sanitário, cada um deveria jogar um caneco de água, mas parece que não houve um entendimento desta prática entre o grupo. Agora nevava muito, 6ºC negativos. Olhei para o tambor com água gelada, olhei para o caneco. Desisti do banho!
Nevando muito, passamos a tarde toda sem fazer absolutamente nada. O refúgio tinha 4 quartos com 7 camas e como estáavamos nós no local, pegamos cobertores nos outros quartos, além do saco de dormir coloquei mais 5 cobertores. Vesti todas as roupas que tinha na mochila. Decididamente não estava preparada para um frio deste porte.
O jantar foi servido: macarronada, maçã e vinho. O teto do refúgio era de telha tipo brasilit, com várias pedras segurando para não haver destelhamento durante a ventania. O brasilit que recobria o telhado da “sala” tinha vários furos e a neve começou a cair sobre o jantar, levamos a mesa para o quarto, lá havia um forro de plástico sob o brasilit. Depois… chá, chá, vinho, chá, vinho, chá, chá. Não necessariamente nesta mesma ordem. O guia nos comunicou que se a neve não melhorasse provavelmente teríamos que cancelar o tour do dia seguinte, pois seguir daquele local para frente seria imprudência, poderíamos ficar ilhados e provavelmente sem comida. Pela madrugada acordei sufocada com o peso dos cobertores!

3º. DIA

Refúgio – acordamos 7h. Com 1º.C dentro do refúgio e fora 3ºC negativos. Havia parado de nevar. Desayuno: café solúvel, leite, chocolate, chá, margarina, doce de leite, geleia de pêssego. Iríamos ver este mesmo lanche várias vezes, o pão ao final já estava terrível de comer, de tão duro.

Gêiseres

Saímos às 8h.15h. para conhecer os gêiseres, a temperatura era de 6ºC negativos, a 4.850m. a.n.m., é uma área de atividade vulcânica constante, de onde se desprendem gases em alta pressão. Tudo era tão bonito e novo que não tinha como não descer e correr por aquele amontoado de gêiseres, borbulhantes, envoltos em névoa e muita neve no chão. Saímos as 9h.30 com destino novamente a mais três lagoas, o jipe atolou na neve e foi necessário esperarmos ajuda para sair dali.

Laguna Colorada

A Laguna Colorada está a uma altitude de 4.278m. a.n.m. e 60km2. de extensão, pouca profundidade, possui águas salinas, conta com ilhas de gelo cobertas de bórax. Sua cor se deve a pigmentos de micro organismos, que são alimentos dos flamingos.

Laguna Carpina.

Lagoa também margeada por larga camada de bórax.

Laguna Verde

Possui a coloração verde esmeralda devido a alto teor de arsênico, próximo a Laguna está o vulcão Licancabur (5.860m. a.n.m.). Voltou a nevar forte e tivemos que ir embora, passamos pelo Pueblo Villa Mar, depois ao Pueblo de San Agustin.

Pueblo San Agustin

Um pouco maior do que Villa Mar, mas tão poeirento quanto, povoado espremido entre rochas imensas, a altitude é de 3.837m. a.n.m. Local de parada para o almoço: salada de tomate com pepino, arroz com cenoura, atum em lata, pedaços de queijo de gosto e aparência duvidosa, laranja, água e coca cola. O guia se utiliza da cozinha de uma casa particular para preparar a comida. Na praça um pequeno coreto e uma ave indecifrável de concreto, uma coisa meio amorfa, ao fundo uma igreja que um dia havia sido pintada de amarelo. Continuei andando, a rua principal do povoado devia ter no máximo cinco quadras, fui até o final, encontrei uma senhora sentada sobre uma colcha, limpando grãos de quinua, estava com dois filhos, sentei-me ao seu lado e comecei a conversar, fiquei ali até o horário do almoço, uma pena ela não querer fazer foto.
MICO DO DIA Depois do almoço seguimos viagem, no caminho o inglês tirou do bolso um cigarro de maconha, alisou, acertou, acendeu, deu algumas baforadas, passou para o indiano, que após fazer uso passou para o outro inglês, que fumou e me ofereceu: – Te gustas? Recusei gentilmente e intimamente constrangida pensei: Quem mandou fazer um tour em uma tribo que não é sua? Afinal as pessoas que ali estavam tinham menos de 30 anos.

Valle de Rocas

Centenas de rochas vulcânicas que foram sofrendo erosão eólica e com o tempo ficaram com formas diversas que a imaginação pode dar nomes. Em algumas é possível escalar, mas são muito escorregadias, prepare-se para fazer muitas fotos. “Minha turma” logo se posicionou atrás de algumas rochas e continuaram com o ritual da maconha, porque o guia pediu para que eles evitassem fumar dentro do jipe que estava com os vidros fechados por causa do frio. Seguimos para conhecer o pequeno Salar de Tiguana.

Povoado de San Juan

Nosso guia não havia feito reserva, já era tarde e os alojamentos estavam lotados, só foi possível em uma casa de família que, mantinham alguns quartos em uma espécie de palafita. Cada quarto tinha duas camas, fiquei com o rapaz da França, devia ter uns 18 anos, muito educado, falava um pouco de espanhol. Assim que larguei a mochila no quarto desci para tomar banho por B$5,00 (U$0,70), seria necessário aguardar um pouco, porque o chuveiro era à gás, e ele teria que colocar água na caixa, isto com auxílio de um balde. Foi servido um chá para esperar até a hora do jantar, todos estavam com fome, fui buscar uma lata de atum que havia restado em minha mochila e algumas bolachas salgadas que dividi com o pessoal. Depois do chá fui para o banho, mas nada! O dono da casa me devolveu o dinheiro dizendo que era impossível, na noite anterior havia nevado muito e o encanamento havia estourado, portanto não havia água na casa. Surtei! Era humanamente impossível um segundo dia sem banho. Fui até a cozinha e disse que pagava os B$5,00 por um pouco de água morna. Demora e expectativa! Apareceu uma pequena chaleira com água quente e uma bacia de plástico também muito pequena com água fria. Fui até o banheiro, e agora? Misturei a água quente na bacia,  usei o mínimo possível de água para me molhar, ensaboar e com o pouco restante retirei o sabonete. Me enxuguei com a fralda, me vesti e fui jantar. Logo que entrei o espanhol agressivo perguntou: Por que brasileiro toma tanto banho? Respondi que era normal e no verão até mais de um banho. Ficou espantado e disse que era um desperdício de água. A garota da Nova-Zelândia disse que tomava banho uma vez por semana.  O francês endossou que era mesmo um exagero, ainda mais tendo em vista as condições precárias do local. Aquele era o último jantar comunitário, o guia com o estoque de comida quase esgotado, serviu uma sopa, salsichas, ovo frito, e um caldeirão de batata com cenouras cozidas. Havia uma salsicha para cada um, o indiano pegou metade delas colocou em seu prato, experimentou algumas não gostou e abandonou o restante. Conclusão ele não comeu e as restantes não foram suficientes para todos. Quando cheguei até a mesa eles já tinham devorado tudo, por um banho fiquei sem jantar. O pessoal ainda ficou conversando, fui dormir O colchão era de um material indefinido, muito fino, o saco de dormir era para baixas temperaturas, grosso, ajudou a “amaciar”. Foi difícil? Não! Faria de novo? SIM.

4º. DIA

Levantamos as 4h.30, 5ºC. negativos

Sol de Mañana (nascer do sol)

A proposta era apreciar o dia amanhecer “sol de mañana”, no salar a temperatura era de 0ºC e muito vento, 4.278m. a.n.m. Ficamos fora do jipe para apreciar o amanhecer, realmente foi maravilhoso, o sol surgindo por detrás das montanhas, horizonte vermelho, inundando tudo e refletindo seus raios sobre aquele mar de sal. Nenhuma foto pode avaliar a amplitude de tudo aquilo, momento de encantamento. Nossa próxima parada foi no hotel de sal Playa Blanca, particular, só é possível fazer fotos hóspedes ou compradores de souvenires. Nosso desayuno foi na parte externa do hotel, o guia acendeu o fogareiro, aqueceu água e improvisou uma mesa na parte traseira do jipe, comemos em pé, vale lembrar que as canecas estavam horríveis, como no albergue anterior não havia água, todas estavam com algum resíduo. Eca!!! O pão era daquele lote do primeiro dia. A temperatura agora era de 14ºC, Hector nosso guia fez o retorno muito devagar, pois nosso tour deveria chegar às 14h. em Uyuni, como não havia mais nada para ver, acabamos chegando às 9h.
Fui até o terminal de ônibus comprar uma passagem para Oruro, distante 313km. de Uyuni, mas o ônibus já estava lotado. Fui até o Hotel Central aonde havia me hospedado, pedi para usar o banheiro, B$1,00 (U0,15). Atravessei a Avenida Ferroviária e me dirigi até o terminal de trens. Havia 3 categorias, escolhi a intermediária, Salón B$45(U$6,50), a categoria superior, leito era B$81 ((U$12,20), e a inferior B$30,00 (U$4,30). Olhei no relógio eram 10:00h. e o trem só sairia às 0:05h. Fui ao Hotel Cactu B$15,00(2,15), afinal só iria ficar até á noite. A dona foi muito simpática, o chuveiro era bom, mas o quarto cheirava a mofo, colchão ruim (fui até espetada por uma agulha), frio 10ºC. Saí para almoçar, os restaurantes estavam fechados, encontrei um quiosque na praça. O dono entregou o cardápio de lanches, pedi um sanduíche de queijo, depois de muito vasculhar na geladeira disse que não tinha. Escolhi um de frango, tornou a olhar na geladeira e também não tinha. Troquei por um de jamon (presunto), ele abriu um sorriso semi desdentado e disse que tinha, mas eu teria de esperar até que sua a filha fosse comprar o pão. Aguardei quase meia hora, chegou o sanduíche: pão, uma fatia finíssima de presunto e uma fatia de tomate B$5,50 e uma coca cola (B$3,00). Na praça existem vários restaurantes.
Ao sair do hotel às 11:20h. estava preocupada, não havia ninguém nas ruas, mas para minha surpresa a Estação de Trens estava lotada, muitos mochileiros que na sua maioria optaram pelo vagão leito. A viagem durou a noite toda, é possível dormir um pouco. Como sabia que pela manhã seria vendido um café, imaginei que haveria um vagão restaurante, transitei por vários vagões e nada, quando tentei passar para o vagão executivo a porta estava trancada. Voltei para meu lugar, resolvi ir até o banheiro, impossível descrever! Voltei para meu banco, logo  apareceu um rapaz, com uma imensa garrafa térmica vendendo uma caneca de café e um sanduíche de pão com presunto. Beleza! Agora era só aguardar a chegada a ORURO.

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